Acreditar ou desacreditar
Quando era bem pequeno, em algum momento não lembro exatamente qual, devo ter começado a acreditar em Deus.
Aí me lembro de, com 10 anos de idade, entrar em uma igreja na Espanha e ver um afresco no teto com um monte de bebezinhos indo pro inferno. Lembro de ficar meio assustado e perguntei pro meu pai o que era aquilo.
Ele me disse que era uma representação dos bebês que não foram batizados indo pro inferno.
Fiquei indignado. Que culpa os bebês tinham de serem batizados ou não? Puta sacanagem!
Anos mais tarde estava na casa da minha irmã no interior, aí provavelmente já com uns 13 ou 14 anos. Duas testemunhas de Jeová bateram na porta e minha irmã disse pra elas que não acreditava em Deus.
Fiquei surpreso. Não sabia que tinha essa opção. Perguntei um pouco mais e ela disse que a ciência e o darwinismo faziam mais sentido pra ela. Decidi virar ateu naquele momento e assim vivi… Argumentando, criticando e debochando dos pobres mortais que acreditavam em Deus.
… até uns 10 anos atrás.
Numa exploração sobre a verdade percebi que eu acreditava na ciência de uma forma religiosa.
O que eu não tinha percebido até então é que eu tinha simplesmente substituído minha crença em Deus por outra crença.
Quando pessoas perguntam pra mim no que eu acredito, confesso que fico meio perdido porque não é algo que eu me pergunto. Qualquer resposta que vier só vai ser mais um pensamento na minha cabeça.
O que eu sei é que não existe desconforto em não saber.
Sei que esse caso é talvez um pouco extremo e mexe com crenças muito enraizadas para a maioria das pessoas, mas se quiser explorar uma coisa explore isso:
O que você deixou de acreditar em vez de fazer as pazes com não saber? Você simplesmente criou outra crença para substituir a antiga?
Talvez a paz que você esteja procurando nesse assunto esteja do outro lado dessa pergunta.
Abração,
Robin
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